Pantanal vira cemitério a céu aberto: cobras, jacarés e anfíbios são maioria entre animais mortos

  • 11/07/2024
(Foto: Reprodução)
As chamas consumiram mais de 764 mil de hectares do bioma neste ano. Jacaré queimado no Pantanal Araquém Alcântara/ Reprodução Os incêndios que atingem o Pantanal há mais de 90 dias fez com que o bioma se tornasse um grande cemitério a céu aberto. De acordo com o Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap), cobras, jacarés e anfíbios são a maioria entre os animais encontrados mortos pelo fogo. A médica veterinária e bióloga, Paula Helena Santa Rita, está em Corumbá (MS), cidade com maior número de focos de incêndio do Brasil, e relata que muitos animais morreram incinerados ou por hipertermia devido aos incêndios florestais. A especialista atua no Gretap, que é responsável por coordenar as ações de resgate e atendimento aos animais silvestres vítimas de desastres ambientais em Mato Grosso do Sul. “Os animais que mais encontramos mortos foram répteis, como serpentes e jacarés, e anfíbios de forma geral, incinerados ou mortos por hipertermia. Notamos que animais tentam fugir, mas o extremo de temperatura causa a morte”. O fotógrafo de natureza Araquém Alcântara registrou de perto as cicatrizes que o fogo tem deixado na fauna e flora pantaneira. Veja abaixo e ao longo da reportagem as imagens. Sapo morreu incinerado pelos incêndios no Pantanal Araquém Alcântara Araquém Alcântara esteve no Pantanal para retratar os incêndios que já consumiram mais de 5% do bioma neste ano. O profissional encontrou diversos animais mortos. Pelas imagens é possível ver carcaças queimadas de cobras e jacarés no cenário devastador que tomou conta do bioma. As serpentes e os jacarés estão entre as espécies da fauna pantaneira mais afetadas pelo fogo pelo fato de rastejar, o que faz com que as cobras sejam atingidas mais rapidamente pelas chamas. Os lagartos e os anfíbios, como sapos, também estão entre os animais mais afetados pelos incêndios. Ariranha morta no Pantanal Araquém Alcântara ⚠️O fogo está consumindo o bioma há mais de três meses. Mais de 764 mil hectares foram destruídos, o que deixa um rastro de devastação ambiental e morte de animais. Para se ter uma dimensão, a área completamente destruída é seis vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. A especialista detalha que muitos animais que antes usavam a vegetação para se esconder, agora estão expostos a predadores devido a devastação do bioma. Segundo ela, ainda não houve a necessidade de captura ou deslocamento de animais em Corumbá. “Em quase todas as áreas a gente observa batida de onça-pintada e jaguatirica. Muitos animais estão se abrigando no topo de árvores. Os bugios, por exemplo, não se deslocam pelas árvores, então eles ficam ilhados para fugir do fogo já que o solo não oferece condição para eles andarem pela região”. Fotógrafo encontrou animais mortos. Araquém Alcântara LEIA+ Pantanal: área equivalente a 9 campos de futebol queimou por minuto em junho deste ano, pior mês da série histórica Cercados pelos incêndios no Pantanal, moradores de MS relatam rotina de caos: 'parece que o fogo está no meu quarto' Sucuri, cobra símbolo do Pantanal, morre carbonizada tentando fugir de incêndios "Remodelagem" do Pantanal Sucuri no Pantanal Araquém Alcântara A biodiversidade do Pantanal é composta por mais de 2 mil espécies de plantas, 269 peixes, 131 répteis, 57 anfíbios, 580 aves e pelo menos 174 mamíferos. O número de invertebrados é desconhecido. A preservação do Pantanal é uma preocupação da especialista Paula Helena. Segundo ela, o bioma vive um momento de “remodelagem” devido aos últimos desastres ambientais. “Temos observado uma remodelagem do Pantanal. É fato que a natureza sempre encontra um caminho, 2020 não foi superado pelas populações do Pantanal. Houve muitas perdas, esse movimento está acontecendo e o nosso trabalho é dar aporte para que a gente continue tendo essa biodiversidade única que existe no bioma”. Carcaça de répteis no Pantanal Araquém Alcântara Conforme a especialista, ainda é muito recente para estimar o número de animais mortos pelas queimadas no Pantanal. O bioma vive o seu pior ano em termos de queimadas desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou o monitoramento, em 1998. De acordo com o monitoramento feito pelo Inpe, 2020 foi o ano que teve mais registros de fogo no Pantanal desde o fim da década de 1990. Um estudo realizado por 30 pesquisadores de órgãos públicos, universidades e ONGs estimou que, naquele ano, ao menos, 17 milhões de animais vertebrados morreram em consequência direta das queimadas no Pantanal. Carcaça de animal encontrada no Pantanal Araquém Alcântara Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2024/07/11/pantanal-vira-cemiterio-a-ceu-aberto-cobras-jacares-e-anfibios-sao-maioria-entre-animais-mortos.ghtml


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